Para apoiar a empreitada como arquiteto da sua transformação, recomendo que preste atenção aos detalhes, aceite a mudança como inevitável em sua vida de protagonista, desfrute de uma vida com mais propósito e conheça os seis pilares que considero fundamentais neste processo:
O primeiro pilar que quero recomendar investimento é o autoconhecimento. Sem ele, a música do Zeca Pagodinho, com certeza, será a trilha sonora da sua vida. Tenha consciência de que você é a ferramenta mais valiosa da sua construção e quanto mais você mergulha neste processo, mas poderá usufruir dos benefícios.
O autoconhecimento não é apenas uma busca pessoal, mas também uma ferramenta prática para o sucesso profissional. Ele se refere à compreensão profunda e consciente de seus próprios valores, interesses, habilidades, personalidade, motivações e pontos fracos. Quanto mais você se conhece, mais capaz é de tomar decisões com respaldo, crescer em sua carreira e criar um ambiente de trabalho mais produtivo e harmonioso para si mesmo e para os outros.
Quem é você? Do que você gosta? O que ? Quais são seus pontos fortes e fracos? O investimento no seu próprio autoconhecimento é uma jornada contínua que pode levar a uma vida mais plena, significativa e satisfatória. Isso requer reflexão, autoanálise e a disposição de explorar sua própria mente, emoções e habilidades com sinceridade.
Eu tive dois grandes processos de autoconhecimento que mudaram toda a minha história: o primeiro foi a psicoterapia, que fiz desde os meus 14 anos, pois encontrei um lugar que era seguro e possível para expandir a minha consciência, aprofundar os meus gostos, compreender melhor o que estava sentindo e me fortalecer. Na terapia, foi possível olhar para minha luz e para as minhas sombras, trabalhar fragilidades, vulnerabilidades, chorar ou me esfarelar, até me recompor. Foi o lugar que “colei o coração”, algumas vezes partido, olhei para os marcos da minha história e organizei os sentimentos e as ideias na prateleira.
O segundo processo que foi um divisor de águas da minha vida, foi o meu primeiro processo de assessment. Com a devolutiva que tive da minha avaliação, consegui ter uma melhor compreensão sobre como estava sendo percebida como profissional, quais eram as minhas competências de destaque e as fragilidades que requereriam melhorias. A partir disso, tomei a decisão de construir o meu plano de desenvolvimento individual, para estar mais preparada para as oportunidades de crescimento profissional que eu desejava. Resultado, quando surgiu uma vaga, que na época estava, hierarquicamente, três níveis da posição que eu estava, candidatei-me para o processo seletivo e fui promovida.
É com essa forte convicção sobre a importância de investir no autoconhecimento, que ao longo da minha carreira profissional já facilitei a condução consciente de mais de 800 indivíduos com suas carreiras, através do assessment (Avaliação de Perfil e Carreira Profissional), que é um excelente instrumento. Ele oferece acesso a um diagnóstico completo sobre perfil profissional, habilidades e aptidões, fortalezas e fraquezas, competências técnicas e comportamentais e os múltiplos talentos do indivíduo.
Quem não lidera a si mesmo, não lidera nada nem ninguém. Para fazer transformações é necessário assumir o papel de gerenciamento da própria vida. Ram Charan, um dos mais notáveis nomes do mundo na formação de lideranças, diz que não há um modelo universal de liderança. Por isto, é importante que você olhe para o contexto e aprenda o que você pode ser.
Desenvolver a auto liderança é fundamental para alcançar o sucesso pessoal e profissional. Ela coloca você no assento do motorista da sua vida, habilitando-o a tomar decisões conscientes e construir um futuro mais positivo. Isso envolve cultivar uma combinação de habilidades, atitudes e comportamentos, que o capacite a assumir o controle de sua vida, tomar decisões informadas e avançar em direção aos seus objetivos com confiança e determinação.
A partir do momento que você já ampliou a esfera do autoconhecimento é chegada a hora de definir o melhor processo de liderar a si mesmo para estabelecer as suas metas pessoais e construir os caminhos possíveis que o levarão ao encontro delas. Eu sempre gostei de construir um plano de metas anuais, com base na metodologia SMART+V, que significa verificar se cada objetivo estabelecido é específico, mensurável, possível de ser atingido dentro de espaço de tempo previsto, realista, alinhada aos meus valores pessoais e ao meu propósito de vida. Costumo fazer o acompanhamento desses objetivos de perto, revisando-os a cada trimestre.
Para fortalecer a minha autoliderança também costumo fazer uso de auto recompensas para fortalecer e encorajar meus comportamentos desejáveis. Como eu sou uma pessoa que adora viajar, por exemplo, minhas bonificações anuais, sempre estão atreladas a passeios e viagens.
Outro elemento importante que geralmente utilizo para me manter em constante desenvolvimento, é que após cada trabalho realizado, aplico avaliações de percepção, colho depoimentos e acompanho o meu indicador de NPS para estar em constante evolução e melhoria. Se você é colaborador de uma empresa, precisa estar atento aos feedbacks que recebe das pessoas, buscando criar e percorrer os próprios planos de desenvolvimentos.
Gerir sua própria carreira requer proatividade, dedicação e um compromisso contínuo com o crescimento pessoal e profissional. Em vez de depender apenas da empresa ou do gestor, você assume a responsabilidade pela direção que sua carreira está tomando.
Saber onde queremos chegar e como vamos chegar lá importam. Mas, não importa quão claro seja o seu objetivo nem quão detalhada e específica seja a rota que você traçou para chegar nele, não é possível controlar todas as variáveis e obstáculos que vão surgir. Investir no enriquecimento da mente é fundamental para nos mantermos atualizados e preparados para enfrentar os desafios do mundo profissional.
O conceito de Agilidade Emocional é trazido como essencial por Susan David, uma renomada psicóloga, pesquisadora e palestrante na área de inteligência emocional. Ele envolve a capacidade de navegar e lidar eficazmente com as emoções, adaptando-se de maneira saudável às situações da vida. Através dele é possível promover a resiliência emocional, a tomada de decisões mais informadas e a construção de relacionamentos mais saudáveis.
O termo resiliência é oriundo da física e, de forma simplificada, significa passar por um momento de pressão, como se fosse uma esponja, e voltar ao formato e tamanho original. Porém, quando comparo essa história com o desenvolvimento humano, não creio que o ser humano, ao passar por um evento de grande impacto em sua vida, permaneça o mesmo. Para ilustrar isso, quero compartilhar um pouco da minha história.
Na véspera da, até então, desconhecida pandemia, pedi o desligamento da empresa na qual construí mais de 11 anos de uma grande história e carreira profissional para investir na minha vida pessoal, que, naquele momento, era uma grande insatisfação para mim. Eu sempre soube que a vida era como andar de bicicleta, um constante equilibra e desequilibra, mas do que adiantava eu estar no meu melhor momento profissional e não me sentir completa como mulher? Um dos meus sonhos sempre foi construir uma família e foi em busca desse sonho que tomei essa decisão.
Nunca saberei se foi a melhor decisão que tomei. A verdade é que esse plano não deu certo e, quando me dei por conta, estava sem meu trabalho, sem a pessoa que havia escolhido seguir a jornada, sem casa e com pouca reserva financeira. Precisei reconstruir tudo novamente e estudar sobre o conceito de agilidade emocional que me ajudou a entender um dos caminhos que podia seguir para recomeçar a minha vida como um todo novamente, após um incidente que trouxe a sensação de me deslocar do eixo da terra.
Não sou a mesma pessoa de antes. Precisei me adaptar, revisitar os meus “porquês” para enfrentar os novos “comos” da minha vida. Muita adaptação intencional foi necessária para parar de dirigir olhando pelo espelho retrovisor e lamentando tudo que eu havia perdido. Decidi olhar para a realidade, enfrentar as dores e reconstruir.
Invista em você e na sua mente. Não deixe que obstáculos destruam seus sonhos. A resiliência e a flexibilidade permitem que os empecilhos que surgirem não impeçam você de chegar aonde deseja!
Nunca é tarde demais para se aprender. Esta frase nunca se fez tão verdadeira quanto no mundo dinâmico no qual vivemos. Se engana quem acredita que a aprendizagem termina após a conclusão da educação formal. O estudo precisa seguir para acompanhar a evolução e as mudanças da sociedade. É crucial buscar experiências diversas e se inserir em ambientes informais, onde alternativas de ensino se apresentam.
Conrado Schlochauer, empreendedor e mentor no campo da aprendizagem corporativa, diz que preparar-se para uma educação continuada ao longo da vida exige uma combinação de estimulação cerebral e um estilo de vida saudável. Essa abordagem facilita a adaptação às transformações do mercado, possibilitando a assimilação das tendências e competências que perpetuam a relevância no ambiente corporativo. Através da aprendizagem contínua é possível melhorar habilidades técnicas, competências profissionais e aptidões pessoais. Isso é especialmente importante para se manter relevante no mercado de trabalho e avançar na carreira.
Para ser um lifelong learner é fundamental adotar uma abordagem proativa e diversificar as fontes de aprendizado. É preciso estar atento às oportunidades de desenvolvimento, pois elas vão muito além do campo formal de educação: diálogos, podcasts, livros, artigos, vídeos, participar de novos projetos e realizar trabalhos voluntários, também desempenham um papel válido. A disposição para sair da zona de conforto e enfrentar desafios também é fundamental. Encontrar mentores e coaches, bem como interagir com pessoas que possuam diferentes experiências e perspectivas é altamente benéfico, acelerando o processo de autodesenvolvimento. O compromisso contínuo com o crescimento pessoal e profissional é a base para se tornar um lifelong learner. Aproveite.
Um protagonista é o personagem central de uma história, seja em um livro, filme, peça teatral, jogo ou qualquer outra forma de narrativa. O protagonista é frequentemente quem impulsiona a trama adiante. Geralmente, é o personagem em torno do qual gira a maior parte da ação e dos conflitos da história.
Assumir o protagonismo na vida real, refere-se à atitude de assumir o controle da própria carreira e da própria vida. Em vez de esperar que as oportunidades caiam do céu, é preciso estar disposto a buscar conhecimento, desenvolver habilidades e se adaptar às mudanças. Ser o protagonista da sua trajetória profissional significa ser proativo, tomar iniciativa e assumir a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento ocupacional.
Durante os longos anos que atuei na área de Gestão de Pessoas sempre ouvia indagações tais como: qual é o plano de carreira dessa empresa? O que a empresa espera que me desenvolva? Quando vou ser convidado para assumir uma nova oportunidade de crescimento? Se eu fizer um curso, ganharei um aumento salarial? Confesso, que essas perguntas sempre me deixaram desconfortáveis e fizeram com que buscasse compreender melhor os papeis de cada um nessa relação.
Na minha matemática de percepção da gestão de carreira, 80% da responsabilidade é do indivíduo e 20% pode ser atribuído aos outros. Nestes outros estão familiares, amigos, empresa, líderes religiosos e professores. O seu gestor imediato também faz parte desse grupo de pessoas, pois ele tem um papel fundamental para lhe fornecer feedbacks ao longo da sua jornada de trabalho e ter conversas de feedforward voltadas às suas expectativas e planos de carreira para o futuro. À sua empresa, fica o papel de perceber que você é um talento, criar condições e oportunidades internas de retenção e de crescimento profissional. Por mais que agora possamos compreender que existem esses 20%, um individuo protagonista, jamais fica refém dos outros. Ele assume a autorresponsabilidade por sua carreira e faz acontecer.
O primeiro passo para fazer acontecer é saber o que é importante para você, para o seu local de trabalho e para a sua carreira. Mas só isso não basta. É preciso usar isso para guiar suas ações. O psicólogo Russ Harris, médico, terapeuta, formador e autor que trabalha com a Terapia de Aceitação e Compromisso desde o início dos anos 2000, propõe que você se conecte com o que é importante para você e utilize isso como um mapa e uma bússola para traçar a rota para uma vida com mais vitalidade.
Uma ferramenta que pode ajudar você nesse processo é o ikigai, que é um termo japonês que descreve a ideia de ter um propósito de vida. Apesar de não haver uma tradução direta, ikigai combina as palavras japonesas ikiru, que significa “viver”, e kai, que significa “a realização do que se espera”. Ao se unirem, essas definições criam o conceito de “uma razão para viver”. Estudiosos do tema criaram um método através de uma mandala para ajudar a descobrir o seu ikigai. Para contemplar todas as áreas da nossa existência, a mandala parte de quatro esferas que se sobrepõem: paixão, missão, vocação e profissão. E, ao centro, na intersecção entre essas quatro esferas, está o ikigai. O objetivo da mandala é permitir uma melhor visão da correlação entre estes aspectos. É importante que as esferas para completar a intersecção sejam preenchidas de forma íntegra, com calma e de forma bem descritiva.
Assumir o protagonismo da própria vida significa não apenas ser um espectador, mas um participante ativo na construção do seu futuro. Isso leva a uma vida mais gratificante, cheia de significado e realizações pessoais.
Jeff Bezos, CEO da Amazon, diz que “Sua marca pessoal é o que as pessoas dizem sobre você quando você não está na sala.”. Você é a sua marca e este é um recurso que pode tornar você um profissional relevante no mercado.
A sua reputação é importante porque afeta como você é percebido pelos outros, influencia suas oportunidades e interações e pode ter impactos significativos em sua vida pessoal e profissional. É um ativo valioso que pode ser construído ao longo do tempo com base em suas ações, comportamentos e decisões.
Gosto de pensar que quando um profissional trabalha para uma organização é como se fosse um casamento: ele passa a substituir o seu sobrenome pelo nome comercial da empresa, passando a ser conhecido por essa nova marca. Muitos que não cuidam da sua marca pessoal, ao saírem da empresa da qual trabalharam, vivem um processo de luto, porque é como se tivessem perdido a sua identidade.
Arthur Bender é o criador do conceito de Personal Branding no Brasil e costuma dizer que “você está diretora da empresa X” e não que você “é”, pois a sua identidade é maior do que isso. A questão é, se você é mais do que o cargo que está ocupando atualmente, o quanto você tem cuidado e investido em si para estar onde e como quer estar?
É preciso cuidar de si e de sua imagem para além do “eu profissional da empresa X”. Como anda o seu cuidado com o “eu profissional”? E com o “eu”? É necessário cuidar e investir em todas essas esferas para zelar pela sua marca pessoal. De forma prática, investir em networking, manter-se ativo em redes sociais tais como Linkedin e Instagram compartilhando produções textuais, artigos, aprendizados ao longo da experiência, comemorações, são formas de se fazer presente, para além da marca da empresa.
Nesse cultivo é importante lembrarmos que cada escolha, requer uma renúncia. Em tempos de opostos extremos e acalorados, se você posiciona-se a favor de A, corre o risco de ser excluído por B e vice-versa. Ao mesmo tempo, se você não se posicionar ficará à mercê de outros tipos de crítica, por falta de uma tomada de decisão. Por isso, é importante ter cautela e pensar bem antes de escolher as “brigas” que deseja gastar sua energia e entrar. Em um mundo volátil, incerto e ambíguo tudo tende a ser uma linha tênue.